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Manejo Florestal Sustentável

A madeira oriunda de manejo florestal sustentável constitui apenas uma pequena parcela dos volumes comercializados a nível internacional. Contudo, estão se tornando cada vez mais importantes novos usos e volumes mais significativos estão sendo registrados para um número relativamente pequeno de espécies tropicais disponíveis a partir de plantações.

schizolobium amazonicum, mais conhecido como paricá, é uma espécie da região amazônica, de rápido crescimento e que apresenta uma enorme vantagem em relação às outras espécies, o paricá sofre uma desrama natural. 

 

SELEÇÃO DO SITE

O primeiro passo desta etapa é a definição dos parâmetros e premissas, em nível conceitual do projeto pretendido. Nesta fase é importante definir a superfície de área pretendida para o projeto, os requisitos e limites desejáveis em termos de macrolocalização, topografia, solo e clima, infraestrutura básica e outros elementos essenciais ao empreendimento.

Com estes parâmetros definidos é levada a frente o próximo passo, que compreende a identificação e uma pré-seleção de locais potenciais, que em princípio atendam os parâmetros e premissas antes estabelecidos. Nesta fase é feita uma compatibilização de macro sites passíveis de serem considerados e as necessidades básicas do projeto. Normalmente esta fase é baseada em informações secundárias disponíveis e o resultado é uma relação de sites (locais) previamente identificados (potenciais) que serão investigados em mais detalhes na sequencia dos trabalhos.

Os sites previamente selecionados são avaliados mais detalhadamente e isto exige uma coleta de informações secundárias e levantamentos de dados primários, obtidos através de observações de campo (in loco). O aprofundamento normalmente leva em consideração os seguintes elementos:

  • Aspectos físicos como a situação fundiária (tamanho das propriedades), topografia, solos, uso do solo, taxa possível de ocupação, acessos e outras variáveis;
  • Aspectos legais e ambientais incluindo titularidade, áreas de preservação permanente (APP) e reserva legal (RL), áreas de reservas, parques, assentamento, quilombolas e outras com limitações, outros fatores;
  • Aspectos econômicos e financeiros incluindo preço de terras, competidores na região, infraestrutura, logística e outros aspectos; 3 – Plano Operacional do Empreendimento
  • Outros aspectos: capacidade de investimentos do empreendedor/ investidor, implicações com outros projetos vinculados, a exemplo com um projeto industrial e outros fatores/ particularidades.

A etapa seguinte é de análise crítica. Esta análise pode incluir uma comparação quantificada, em base econômica e financeira ou outros parâmetros, e análises qualitativa e de riscos de outras variáveis relevantes. 

Após a seleção e aquisição do site onde será levado a cabo o projeto pretendido, que no caso é o plantio de Paricá, tem início as etapas de implantação e manutenção florestal, as quais são detalhadas a seguir. 

 

IMPLANTAÇÃO DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS

A fase de implantação florestal é composta basicamente por cinco grandes grupos de atividades, sendo elas:

 

Análise de Solo

Através da análise de solo, a Maxma Brasil Forest pode saber como está a fertilidade do solo e obter indicações corretas sobre o tipo e a quantidade de calcário e adubo a serem aplicados. Normalmente são três os tipos de análises de solos necessários para os projetos florestais, quais sejam:

  • Fertilidade
  • Caracterização Física e química
  • Caracterização Hídrica

 

Uma adequada análise de solo depende da correta amostragem na área a ser plantada.

As análises de fertilidade do solo são de extrema importância, pois é a partir dos resultados obtidos nas mesmas que são feitas as recomendações da adubação e calagem (adição de calcário para corrigir a acidez do solo) na área a ser plantada. Em laboratório se efetua a determinação dos macro e micronutrientes, além de Al (elemento tóxico às plantas) e do pH do solo.

A caracterização física e química atende a obtenção de parâmetros no solo analisado quanto ao ataque sulfúrico (resultados fornecem a composição química da fração argila), a condutividade elétrica, e a determinação de carbonatos e sulfatos. Além destes, também são feitas as determinações de carbono orgânico e total, nitrogênio e complexo sortivo (quantidades argilo-minerais e colóides orgânicos).

O conhecimento das características físicas e hídricas é de grande importância para subsidiar o manejo de uso e ocupação das terras, com vistas à produção sustentável e à recuperação de áreas degradadas, além de fornecer informações para fins não agrícolas. Neste caso, as análises feitas são de granulometria, densidade do solo e de partículas, porosidade (macro, micro e total) condutividade hidráulica, retenção de umidade, estabilidade de agregados, limite de liquidez e plasticidade e superfície específica.

Talhonamento e Estradas

O planejamento dos talhões florestais (talhonamento) e a construção das estradas na área dos sites selecionados são atividades imprescindíveis relacionadas ao projeto pretendido pela Maxma Brasil Forest e fazem parte da fase de implantação florestal, sendo fundamentais para o desempenho adequado do plantio. A seguir são detalhadas as operações de talhonamento e construção de estradas por tipo.

Talhonamento

O talhonamento nada mais é que a divisão das unidades de manejo e colheita florestal, detalhando-as em relação a sua área total, distribuição geográfica, produção, e outras informações relevantes ao sistema de manejo. A divisão em talhões depende de características geográficas (relevo, rios, estradas) e visam facilitar e setorizar as atividades. São diversos os fatores de determinam o tamanho e a forma dos talhões, como relevo, estradas, distância de escoamento, produtividade do sítio, entre outros.

Para o estabelecimento dos talhões de um projeto florestal é considerada a topografia do terreno, estradas já existentes e a serem planejadas e alocadas, dimensões ótimas para a colheita, plantio e manutenção, bem como a experiência acumulada da empresa na realização de plantios e gerenciamento de florestas.

O sucesso de um adequado talhonamento está intimamente ligado com um bom planejamento de estradas prévio. Uma rede de estradas adequada consegue aumentar a produtividade florestal, além de reduzir os custos das operações florestais, principalmente nas colheitas futuras.

Construção de Estradas

A rede viária na área de um empreendimento florestal deve ser formada basicamente por três tipos de estradas quais sejam:

  • estradas principais de acesso
  • estradas secundárias (divisores de talhões e divisores de grupos de talhões)
  • estradas (aceiros) de prevenção de incêndios

 

Estradas Principais

Este tipo de estrada dentro da propriedade(s) tem a função de ser o principal acesso à área de plantio florestal e devem ser alocadas, sempre que possível, no divisor de águas.

As estradas principais têm como característica principal a largura de pelo menos 8 m, com inclinação de 8 a 10% e raio mínimo de 30 m. As mesmas devem apresentar capacidade de trafegabilidade durante o ano todo.

O planejamento e a implantação das estradas principais deve ainda obedecer a critérios técnicos, a fim de evitar gastos excessivos. Um exemplo de critério técnico a ser seguido é a necessidade de uma drenagem eficiente, a qual depende do tipo de solo, declividade, etc.. Esta drenagem depende ainda da construção adequada dos sulcos paralelos às estradas e aos drenos, especialmente em lugares de depressão.

Estradas Secundárias

As estradas secundárias são as ligações entre os aceiros (locais de acesso entre talhões e de armazenamento de madeira no período de colheita florestal) e as estradas principais. São utilizadas por períodos curtos e geralmente são menos trafegáveis em períodos de chuva.

No entanto são também importantes no contexto do projeto florestal e para isso as estradas secundárias devem ter largura de pelo menos 6 m, com inclinação entre 10 e 12% e raio mínimo de 20 m.

As estradas secundárias definem o talhonamento propriamente dito e possibilitam o acesso às estradas principais. São divididas em divisores de talhões e divisores de grupos de talhões:

Divisores de talhões (aceiros): são os aceiros que definem os talhões no projeto. Serão implantados de forma a não ficarem excessivamente longos e com o leito abaulado, e canaletas laterais (6 m de largura).

Divisores de grupos de talhões: são os aceiros projetados para separarem grupos de talhões, possuem canaleta lateral situada à montante, que exerce a dupla função de proteger o aceiro e retirar a água sem problema de erosão e de prejuízos à vegetação ciliar. Essas canaletas atravessam não só as estradas divisoras de grupos de talhões, como também as divisoras de talhões para lançar a água na vegetação ciliar. Essa travessia é feita através da construção de bueiros (6-8 m de largura).

Ainda em relação às estradas secundárias, na época da colheita, devem ser abertas trilhas de arraste. Estas são caminhos usados pelos tratores para o arraste de madeira do local de corte aos pontos de carregamento da madeira. Normalmente este tipo de estrada é aberto pelo trator de esteira ou pelo próprio trator florestal (Skidder). A largura de tais trilhas fica em torno de 3,5 a 4 m e inclinações previstas de até no máximo 25%. Acima desta declividade podem ocorrer danos ao solo, além do aumento considerável dos riscos no trabalho.

Construção de Estradas Divisoras (Aceiros de Prevenção de Incêndios)

São estradas de proteção nos perímetros das propriedades. Sua função, além do transporte, é de prevenir incêndios e permitir fácil acesso aos plantios florestais. Os aceiros apresentam abaulamento e canaletas laterais, sendo que as águas da canaleta lateral situada a montante do carreador devem ser retiradas através de passagens naturais existentes.

 

Preparo do Terreno

As áreas destinadas ao cultivo de Paricá devem receber cuidados especiais, visto que delas dependerão, em grande parte, o resultado econômico e sucesso da atividade.

O principal objetivo do preparo do terreno será de oferecer condições adequadas ao plantio das mudas no campo. Como condições adequadas se consideram o controle das plantas invasoras (mato-competição), melhoria das condições físicas do solo (reduzir a compactação) e a presença de resíduos da exploração (folhas e galhos parcialmente processados para não prejudicarem as operações que demandam uso de máquinas e implementos).

A operação de preparo do terreno para o plantio florestal envolve também as atividades de combate sistemático de formigas, correções físicas e químicas do solo, e atividades prévias ao plantio que incluem adubações e outras atividades.

Para obter um adequado preparo de terreno as análises de solos, mencionadas anteriormente são fundamentais. As análises de solos conforme visto propiciam resultados sobre as condições físico-químicas do solo, de vital importância às práticas silviculturais. As mesmas devem ser feitas com antecedência suficiente para se planejar as atividades de calagem (aplicação de calcário) e as respectivas adubações.

 

Calagem (Aplicação de Calcário)

A maioria dos solos brasileiros apresentam características acentuadas de acidez, toxidez causada por altas intensidades de Al e/ou Mn e níveis reduzidos de Ca e Mg. Para torná- los mais produtivos é necessária em grande parte das vezes a sua correção através da prática da aplicação do calcário (calagem). Até porque, o calcário é um insumo relativamente barato e abundante no País, fundamental ao aumento da produtividade e de fácil aplicação. Poucas práticas agrícolas ou silviculturais dão retornos tão elevados no curto prazo para uma determinada cultura como a calagem. Normalmente, é recomendada a aplicação de calcário dolomítico, que contém além do Ca, maior concentração de Mg.

A correção de solo através da calagem tem como objetivos a elevação dos teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) nos solos, aliado à correção ou elevação do pH dos mesmos. As quantidades usualmente recomendadas elevam o pH a aproximadamente 5,5. Dois métodos são utilizados para determinar a quantidade de calcário a ser aplicado: um método baseia-se nos teores de alumínio (Al) encontrados no solo, enquanto o outro se baseia nos teores de Ca e Mg. (EMBRAPA, 2012). 

A calagem é realizada com trator de pneu e calcareadeira, entre 30 a 45 dias antes do plantio até 3 meses após o mesmo. A dosagem depende de análise de solo prévia como visto anteriormente, realizada a partir de amostras extraídas das áreas designadas ao plantio. Em geral aplica-se nos plantios florestais brasileiros cerca de 1,5 t/ha de calcário, mas este valor pode ser alterado com base nas análises de solos.

Subsolagem com Adubação de Base

No preparo do solo é recomendada a realização da subsolagem com profundidade variando a partir de 30 cm podendo alcançar, em plantios florestais até 0,90 a 1,20 m, dependendo do tipo de solo (solos argilosos, maior profundidade) e níveis de compactação. Nessa etapa pode-se realizar simultaneamente a adubação de base.